PROGRAMA DE REGIONALIZAÇÃO DO TURISMO – Roteiros do Brasil
02/11/2004
Perguntas sistematizadas da Teleconferência de apresentação:
O que é o Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil, seus princípios, diretrizes e propostas?
O Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil é uma nova proposta de gestão do turismo de forma descentralizada, coordenada e integrada, baseada nos princípios da flexibilidade, articulação, mobilização, cooperação intersetorial e interinstitucional e na sinergia de decisões. Propõe transformar a ação centrada na unidade municipal em uma política pública mobilizadora, capaz de provocar mudanças, sistematizar o planejamento e coordenar o processo de desenvolvimento local e regional, estadual e nacional de forma articulada e compartilhada.
Tem como diretrizes o Ordenamento, normatização e regulação; Informação e Comunicação; Articulação; Envolvimento Comunitário; Capacitação; Incentivo e financiamento; Infra-estrutura; Promoção e Comercialização.
Quais são os objetivos do Programa de Regionalização do Turismo?
Os principais objetivos do Programa são: dar qualidade ao produto turístico brasileiro; diversificar a oferta turística; estruturar os destinos turísticos; ampliar e qualificar o mercado de trabalho; aumentar a inserção competitiva do produto turístico no mercado internacional; ampliar o consumo do produto turístico no mercado nacional e aumentar a taxa de permanência e gasto médio do turista.
Quais são as principais estratégias do Programa de Regionalização e qual o resultado final esperado?
O Programa está estruturado em três linhas estratégicas:
Gestão Coordenada, que é a formação de parcerias com vistas ao compartilhamento de propostas, responsabilidades e ações, envolvendo os governos federal, estaduais, municipais, iniciativa privada e sociedade civil organizada, bem como a criação de instâncias que promovam a integração destes à comunidade nas etapas de planejamento, implementação e avaliação do Programa.
Planejamento integrado e participativo, que vibializará a elaboração de planos estratégicos de desenvolvimento nas regiões turísticas, de forma participativa, permitindo as mudanças estruturais almejadas.
Promoção e apoio à comercialização, com o objetivo de buscar mudanças capazes de alterar as relações de mercado e alcançar resultados, por meio da formação de redes, educação para o mercado, formação de roteiros e estratégias de promoção e apoio à comercialização.
O resultado a que se quer chegar é estruturar, no mínimo, três produtos turísticos de qualidade em cada Unidade da Federação, até 2007, proporcionando condições para o aumento do fluxo doméstico e internacional de turistas e melhorando as condições socioeconômicas dos municípios e regiões, por meio da geração de renda e postos de trabalho.
Como está sendo a implementação do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil e qual foi a metodologia utilizada para se chegar no resultado divulgado na teleconferência do dia 29/04?
A metodologia utilizada para o início da implementação do Programa de Regionalização nos Estados foi a elaboração e realização de oficinas com enfoque participativo. Foram realizadas 27 oficinas de planejamento e definição de estratégias do Programa durante os meses de março e abril de 2004 com os Órgãos e Fóruns Estaduais de Turismo e parceiros As oficinas permitiram a aplicação de uma matriz de diagnóstico turístico em cada Estado. Como resultado obteve-se o mapeamento de 219 regiões turísticas definidas pelos estados, além da identificação das necessidades e potencialidades de cada uma.
No dia 29 de abril passado o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, acompanhado do Ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia e sua equipe, apresentou ao País as Diretrizes Políticas do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil, juntamente com o mapa do Brasil organizado nas 219 regiões turísticas. O evento foi realizado em Brasília no auditório da Confederação Nacional do Comércio – CNC, e transmitido para todo o Brasil por meio de uma teleconferência acompanhada por um público estimado em 15 mil pessoas, em auditórios da rede SESC/SENAC, Universidades e residências em todos os Estados.
Quais são os próximos passos do Programa de Regionalização e como os Estados e municípios serão inseridos?
O Departamento de Relações Institucionais está elaborando um planejamento das ações a serem executadas com um cronograma para definição e execução dos próximos passos, que será apresentado aos parceiros, Câmara Temática de Regionalização, Órgãos e Fóruns Estaduais de Turismo para validação. Com o diagnóstico das regiões turísticas, o que se pretende é orientar as ações do Ministério do Turismo e do Programa de Regionalização para a elaboração de um Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo para cada região, além de dar base para a aplicação dos instrumentos metodológicos do Programa e levantar indicadores para a construção de um plano de monitoramento e avaliação.
Como foi englobado o PNMT no Programa de Regionalização do Turismo?
O MTur entende o Programa de Regionalização do Turismo como uma evolução das ações do Programa Nacional de Municipalização do Turismo- PNMT, atendendo uma das orientações da Organização Mundial de Turismo – OMT, no que se refere ao planejamento estratégico regional. O que se pretende, então, é incluir no Programa de Regionalização do Turismo algumas ações que se fizeram ausentes no PNMT, como a integração dos municípios e segmentos de forma organizada, por região, e o apoio à promoção e à comercialização desses destinos como produtos turísticos.
Qual é a estrutura de Coordenação do Programa de Regionalização do Turismo?
A Coordenação Nacional do Programa é de responsabilidade do Ministério do Turismo, apoiado pelo Conselho Nacional de Turismo (por meio da Câmara Temática de Regionalização). Em âmbito Estadual o Programa será coordenado pelo Órgão Oficial de Turismo, apoiado pelo Fórum Estadual de Turismo. Nas regiões turísticas será estimulado o fortalecimento das instâncias gestoras já existentes ou a criação onde não houver, contemplando sempre a representação dos municípios envolvidos, parceiros e diversos segmentos públicos e privados pertinentes. Em âmbito municipal a coordenação fica a cargo do órgão responsável pelo turismo do município, apoiado por um colegiado que poderá ser um conselho, fórum etc.
O que é a Câmara Temática de Regionalização e para que serve?
O Conselho Nacional de Turismo está organizado em Câmaras Temáticas, dentre elas a Câmara Temática de Regionalização. É composta por representantes das instituições membros do Conselho Nacional e pessoas de notório saber indicadas pelo Presidente da República e/ou pelo Ministro e outros convidados. O papel da Câmara é identificar e discutir problemas do setor, a fim de encaminhar e propor ações acerca do processo de regionalização do turismo, apoiar a Coordenação do Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil, em âmbito nacional, e monitorar e avaliar as ações do Programa.
Os Conselhos Estaduais e Municipais criados durante a implementação do Programa de Municipalização do Turismo – PNMT serão aproveitados?
Sim. Os Conselhos Estaduais de Turismo, de modo geral, passaram a constituir os Fóruns Estaduais de Turismo e em alguns casos manterão-se como conselhos, pois um dos princípios do Programa é respeitar o que já foi constituído. Quanto aos Conselhos Municipais, continuarão a ser incentivados para apoiar a gestão do Programa em âmbito local.
O que é o Fórum Estadual de Turismo e qual é seu papel no Programa de Regionalização?
É uma Entidade de caráter propositivo, consultivo e mobilizador, que visa a integração de todas as instituições que compõem a cadeia produtiva do turismo, em cada Unidade da Federação (Composição Tripartite – Governo, Iniciativa Privada e Terceiro Setor). É o principal instrumento no processo de descentralização da atividade turística no País, funcionando como um canal entre o Núcleo Estratégico de Turismo (Ministério, Conselho Nacional de Turismo e Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Turismo), os Estados, as Regiões e os Municípios.
Cabe ao Fórum Estadual de Turismo apoiar o Órgão Oficial de Turismo de cada Estado na Gestão do Programa, discutindo e propondo políticas e diretrizes, acompanhando e avaliando suas ações, além de ordenar as demandas das regiões turísticas.
Como será a atuação do Programa de Regionalização do Turismo? Haverá priorização de determinadas regiões turísticas?
O MTur atenderá as regiões turísticas de acordo com um cronograma estabelecido com os Estados, considerando as metas do Plano Nacional de Turismo 2003-2007 e a política estratégica de cada Estado. Nas Oficinas de Planejamento realizadas nos Estados, nos meses de março e abril de 2004, alguns Estados já indicaram as principais regiões turísticas a serem trabalhadas principalmente pelo Programa de Regionalização do Turismo.
Quais são as estratégias para desenvolver, qualificar, promover e financiar o turismo no interior do Brasil?
O Ministério do Turismo quando da elaboração do Plano Nacional de Turismo utilizou-se como uma de suas estratégias a regionalização do turismo, daí a construção do Programa de Regionalização do Turismo, que é um modelo de gestão do turismo voltado para o interior do Brasil, para suas riquezas ambientais, culturais, materiais e patrimoniais e, principalmente, voltado para suas populações. Essa é a principal estratégia do MTur para desenvolver, qualificar, promover e financiar o turismo no Brasil, pois tal modelo propõe a articulação com as demais instituições e entidades da administração pública, organizações não governamentais, iniciativa privada, instituições financeiras e outras, que têm interface com a Política Nacional de Turismo, promovendo uma gestão coordenada e compartilhada do turismo no Brasil.
Como os Bacharéis em Turismo, cursos de turismo, hotelaria e afins podem contribuir para o Programa de Regionalização tendo em vista que a profissão ainda não é regulamentada?
Na medida que o País se organiza para a regionalização do turismo, os estados e municípios passam a entender melhor a dinâmica do processo de planejamento e gestão das regiões turísticas. Por conseguinte, emerge a necessidade de profissionais qualificados proporcionando novas e vários oportunidades de trabalho para os Bacharéis em Turismo. O Ministério do Turismo e seus parceiros, no que lhes compete, estão unindo esforços para incentivar a inserção desses profissionais no mercado de trabalho.
Como os Cursos de Turismo, Hotelaria e afins podem contribuir com o
Programa de regionalização do Turismo?
A Academia tem uma responsabilidade muito grande no desenvolvimento do Turismo, especialmente no Brasil, onde as pesquisas sobre o tema ainda são poucas. Exatamente por isso, as Instituições de Ensino vêm participando e contribuindo ativamente com o Ministério de Turismo – MTur desde os primeiros dias de governo, quando da elaboração do Plano Nacional de Turismo. Foi iniciativa do MTur a organização das Instituições de Ensino para a constituição do Fórum dos Cursos de Graduação em Turismo e/ou Hotelaria, para que se fizessem representar no Conselho Nacional de Turismo. Tem-se acompanhado a composição dos Fóruns Estaduais de Turismo e enviado esforços para que todas as Instituições de Ensino participem ativamente nas mesmos. No processo de construção do Programa, as Instituições de Ensino participaram de todas as reuniões e oficinas no âmbito do MTur, e das oficinas de planejamento para implementação do Programa nos Estados. Um bom exemplo de envolvimento e comprometimento com o Programa vem do Estado do Goiás, onde cada Instituição de Ensino adotou uma região turística, para acompanhamento técnico e oportunidade de estágio e trabalho para os alunos.
No âmbito do Programa de Regionalização do Turismo foi pensado um roteiro especial para a Melhor Idade com preços diferenciados, uma vez que este público viaja somente na baixa temporada?
As tratativas a respeito da facilitação de viagens para esse segmento de demanda estão na Câmara Temática de Segmentação do Turismo, no âmbito do Conselho Nacional de Turismo, e estão sendo discutidas pelo Grupo Técnico de Trabalho de Turismo Social, do qual a Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade faz parte. Foi realizado nos dias 11 e 12 de maio, em Florianópolis, a sua 3ª reunião para debater o assunto. Portanto, o Ministério do Turismo está atento a essa temática, tanto ao que se refere às necessidades dos Clubes da Melhor Idade para dar mais qualidade de vida aos seus filiados, quanto à perspectiva de diminuir a sazonalidade do turismo, para que esse segmento venha ter tratamento especial.
Como o Programa de Regionalização do Turismo irá trabalhar com os roteiros e rotas já existentes?
A maioria dos Estados já vinha trabalhando sob a ótica da regionalização do turismo, cada um do seu jeito e à sua maneira, basta lançar os olhos sobre os diversos pólos, circuitos, roteiros, caminhos, zonas e regiões turísticas que existem no País. O Programa de Regionalização do Governo Federal vem fortalecer esse processo, criando Diretrizes para orientar o desenvolvimento do turismo, reforçando ou estabelecendo a integração dos arranjos produtivos locais e regionais, definindo-se padrões de qualidade dos produtos e serviços turísticos, promovendo a qualificação e requalificação dos profissionais e dos prestadores de serviços turísticos, onde fizer necessário.
Qual a estratégia que o Ministério do Turismo para minimizar os possíveis prejuízos resultantes das eleições municipais e trocas de governos?
Uma das estratégias é a criação e/ou o fortalecimento do colegiado local que apoiará o Órgão Oficial de turismo municipal na Coordenação do Programa, considerando que tal colegiado não sofre interferência das mudanças governamentais. O que se propõe, também, é a sensibilização, interação dos novos governantes ao processo de regionalização do turismo, por meio de seminários, oficinas, eventos de integração e disseminação do conhecimento para que todos, cientes que a atividade turística ultrapassa os limites da política partidária, possa dar continuidade ao processo.
Qual a diferença entre rota, roteiro e região turística?
O Ministério do Turismo, com o intuito de unificar a linguagem para melhor entendimento do processo de regionalização, adotou os conceitos a seguir:
Rota Turística: Percurso continuado e delimitado cuja identidade é reforçada ou atribuída pela utilização turística.
Roteiro Turístico: Itinerário caracterizado por um ou mais elementos que lhe conferem identidade, definido e estruturado para fins de planejamento, gestão, promoção e comercialização turística.
Região Turística: Espaço geográfico que apresenta características e potencialidades similares e complementares, capazes de serem articuladas e que definem um território, delimitado para fins de planejamento e gestão.
Sendo assim, entende-se que a região turística transpassa os limites geopolíticos pré estabelecidos no País, isto é, pode ser constituída por municípios de mais de um estado ou mais de um país. Ressalta-se, também, que uma região turística pode contemplar uma ou vários rotas e vários roteiros, e que as rotas podem se constituir um ou mais roteiros turísticos.
O que é produto turístico para o Ministério do Turismo?
Entende-se por produto turístico o conjunto de atrativos, equipamentos e serviços turísticos, acrescido de facilidades, ofertado de forma organizada por um determinado preço. Assim, rotas, roteiros, destinos etc. podem se constituir em um produto turístico.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Museu Oscar Niemeyer de Curitiba
Museu Oscar Niemeyer de Curitiba
16/12/2002
FHC diz que NovoMuseu simboliza crescimento cultural do País.
Durante discurso na inauguração do NovoMuseu, na noite de sexta-feira 23, na rua Mal. Hermes, Centro Cívico em Curitiba o presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmou que a grandiosidade da obra representa a força do Brasil em continuar crescendo, especialmente no setor cultural.
O presidente elogiou o espaço criado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e disse que, quando deixar o governo e sentir saudade do Palácio da Alvorada (residência oficial do presidente também criada por Niemeyer) irá visitar o Museu para recordar do local onde viveu por oito anos. "Poderei me sentir mais próximo da Alvorada, e não do poder, que não quero mais. Quem sabe, ao visitar o museu, eu também me encontre com a memória da minha família e da própria cidade", afirmou o presidente, lembrando que seu pai nasceu em Curitiba.
Fernando Henrique disse que ficou impressionado ao visitar o NovoMuseu e ressaltou que exposição sobre cultura mexicana lhe chamou atenção em especial. "No começo eu percebia Brasília como uma cidade mexicana, cerimonial de poder como as Astecas. Hoje entendi porque me senti assim em Brasília. Fui vendo que talvez essa tenha sido a genialidade da dupla que construiu Brasília", disse, referindo ao arquiteto Oscar Niemeyer e ao urbanista Lúcio Costa.
Por: Oscar Niemeyer
O Museu do Paraná será inaugurado hoje, e sinto que devo explicá-lo e agradecer aos que dele se ocuparam com tanto entusiasmo.
O primeiro teria que ser, é claro, o governador Jaime Lerner, que teve a idéia genial de aproveitar uma escola por mim projetada 35 anos atrás para, com ela, construir esse grande museu. E boas razões tinha ele para isso. É uma escola com 200 m de comprimento e 30 m de largura. Um pavimento apenas suspenso sobre pilotis. Projeto que já tinha esquecido e que me surpreendeu, quando o vi de novo. Podemos dizer que essa escola, projetada há tanto tempo, é uma obra moderna, moderníssima, com seus vãos variando entre 30 e 60 metros. Apta para se integrar ao grande museu que Lerner imaginava.
Para o projeto a elaborar, eu tinha que levar em conta ainda o fato de essa escola já fazer parte da cidade de Curitiba como uma de suas obras mais representativas. Não deveria, portanto, ficar escondida, o que explica ter projetado o NovoMuseu solto no ar, dois metros acima de sua cobertura.
E lá está o NovoMuseu a surpreender a todos que passam. Uma arquitetura que foge a tudo que viram antes. Toda feita de audácia, de técnica e de fantasia.
Não é assunto meu, mas é bom lembrar que esse museu vai custar apenas R$ 40 milhões, apesar de atender aos programas mais ambiciosos que um museu moderno deve adotar.
É claro que não devo esquecer os que colaboraram nessa obra com extrema dedicação. Mas são tantos que me vejo obrigado a falar, além de Alex Beltrão, que coordenou, desde o princípio, todo o desenvolvimento do museu, daqueles que mais ligados ficaram à arquitetura propriamente dita.
José Carlos Sussekind, responsável pelos cálculos da estrutura, Jair Valera, que desenvolveu todo o meu projeto, Marcelo Ferraz, que se incumbiu dos interiores da antiga escola, criando os programas indispensáveis ao bom funcionamento do museu - inclusive um novo setor para a exibição de esculturas - e Osvaldo Cintra, que acompanhou a construção até o seu término.
Levando em conta o tempo recorde em que essa obra tão complexa foi realizada, cinco meses apenas, seria lamentável não lembrar a firma Cesbe S.A., que dela se ocupou.
Durante esses cinco meses, acompanhei atentamente, pelo sistema de videoconferência instalado em meu escritório, o correr da construção. O terreno vazio, a estrutura de apoio a subir cada dia mais alto, as longas vigas longitudinais que suportam, por fim, a casca da cobertura que, para atender pressões do vento, o nosso companheiro José Carlos Sussekind previu.
Durante algum tempo tudo isso ficava escondido pelos apoios provisórios. Lembro que perguntava ao Birunga: "Quando eles vão ser retirados?", aflito por ver a cobertura pronta e a forma arquitetônica definida, com seus balanços laterais de 30 m.
Muitas vezes, visitantes que surgiam em meu escritório demonstravam interesse em conhecer o andamento da obra pelo sistema de videoconferência. E lá estavam o Lerner; o Beltrão ou o Birunga, contentes ao ver como tudo corria bem, ao ver que em breve aqueles apoios metálicos seriam retirados e o teto ficaria aparente, imenso, com 70 m de comprimento e 15 m de altura, como um grande céu iluminado.
E contavam como seriam as esquadrias, com vidros duplos, tendo entre eles as placas metálicas que desenhei para melhor proteger o salão. Não raro eram estrangeiros, arquitetos de fora que vinham me visitar, encantados com o museu em construção e o apuro da técnica em nosso país.
Nas últimas semanas, meus contatos, por meio do sistema de videoconferência, eram diários. Lembro que indagava quando começariam a colocar o tapete ou terminar a rampa de acesso, o grande espelho d'água, e a resposta vinha direta, tão perfeita era a execução do cronograma estabelecido. Dias atrás, com a obra quase concluída, eu perguntava por detalhes:
"E os móveis, as mesas do bar, quando vão chegar?"
"Depois de amanhã", respondia o Birunga.
Hoje o museu vai ser inaugurado, e esse diálogo vai acabar. O povo de Curitiba irá, usufruir dessa obra, que tantas angústias e entusiasmo nos custou.
Oscar Niemeyer, 93, arquiteto, é o criador do projeto do NovoMuseu e um dos criadores de Brasília (DF). Tem obras edificadas nos EUA, Israel, Líbano, Argélia, França, Itália, Alemanha e Portugal, entre outros países.
Fonte: Artigo publicado na edição da Folha de São Paulo, sexta-feira, 22 de novembro de 2002
Áreas de atuação
O NovoMuseu terá como focos de atuação as Artes Visuais, o Design Gráfico, o Design Industrial, a Arquitetura e o Urbanismo. Todos os focos de atuação acima representam modalidades artísticas raramente tratadas no país de forma orgânica e permanente. Este é um dos diferenciais mais importantes na constituição do NovoMuseu, configurando uma estratégia cultural singular no país.
Com vistas à integração dessas áreas, o NovoMuseu propõe um programa de Ação Educativa e Cultural que articula exposições, ateliês de formação de artistas, oficinas para o público, Centro de Documentação e Referência, produção de material de apoio (impresso e audiovisual), palestras, simpósios, cursos, entre outras atividades.
Além da integração entre as áreas de atuação do NovoMuseu, há uma integração física deste novo espaço com as áreas que o cercam, no que chamamos de Aldeia Cultural. Trata-se, no fundo, da integração do museu com a própria comunidade, com os cidadãos curitibanos, paranaenses, brasileiros, latino-americanos e com visitantes de outros países.
Centro de documentação e referência
O Centro de Documentação e Referência (CDR) do NovoMuseu deverá ser mais do que uma biblioteca pública. Além de abrigar e disponibilizar ao público seu acervo de material impresso e audiovisual, o CDR também estará incumbido de produzir, em conjunto com a ação educativa, material de apoio para visitas guiadas às exposições e para oficinas, cursos, palestras etc.
O acervo do CDR será inicialmente formado pelos acervos das bibliotecas do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC/PR) e do Museu de Arte do Paraná (MAP), e enfocará as 4 áreas de atuação do NovoMuseu.
Em breve, o material disponível no CDR deverá passar por um processo de recadastramento eletrônico, tornando possível consultar neste site as fichas catalográficas de todo o acervo. O CDR localiza-se no piso superior do edifício antigo (Castello Branco) do complexo.
Constituição dos Acervos
O acervo deverá ser constituído e ampliado visando análise, investigação, fomento e difusão nas áreas de Artes Visuais, Design gráfico e industrial, Arquitetura e Cidade [Urbanismo]. A política de constituição do acervo deverá estar embasada em critérios científicos advindos das áreas de foco do NovoMuseu e das necessidades de seu público, de forma que sua ampliação ocorra a partir do que será necessário ter, e não do que já está patrimoniado nas diferentes coleções.
O projeto de aquisição e ampliação permitirá preencher lacunas no acervo inicial do museu (provenientes do MAC/PR e do MAP) e constituir novas coleções, tendo como principal foco a divulgação da produção brasileira moderna e contemporânea. Serão criados diversos núcleos que agrupam artistas (incluindo nesta categoria arquitetos, designers, urbanistas etc.), obras (inclusive plantas, projetos, objetos, maquetes etc.) e movimentos de acordo com critérios temáticos, cronológicos e/ou geográficos. O critério básico para integrar obras ao acervo será a pertinência da mesma a um desses núcleos, definidos por um grupo de pesquisadores e historiadores da arte e da cultura brasileiras.
O objetivo de tal procedimento é ultrapassar a prática comum de inclusão de obras singulares em acervo – obras não necessariamente relacionadas umas às outras. Com o sistema de núcleos pretendemos contemplar as questões manifestas nos diferentes momentos da história das artes brasileiras a partir do século XX, incorporando ao acervo apenas obras que sejam representativas para a composição dos diferentes núcleos, seja por seu caráter exemplar ou de ruptura.
Deverão ser levados em conta, ainda, a expressão que o artista e a obra podem desempenhar na coleção, a representatividade do autor no panorama das artes brasileiras e a importância da obra no conjunto da criação do artista.
O ponto de partida para a formação do acervo do NovoMuseu será a Coleção Permanente. Ela dará origem ao primeiro dos quatro núcleos previstos na fase de implantação do museu, detalhados abaixo.
Apresentação de Acervos
Em uma instituição museológica, a exposição é o meio privilegiado de comunicação com o público em geral. Portanto, ela deve ser planejada visando a contribuir para a adequada difusão do patrimônio cultural ou de informações específicas (institucionais, didáticas etc.).
As coleções a serem expostas no NovoMuseu deverão estar vinculadas aos princípios de divulgação e ampliação de conhecimentos nas áreas de interesse definidas pelo perfil do seu acervo e à tipologia museológica à qual se filia, bem como colaborar para o entendimento do papel do NovoMuseu como instituição a serviço da sociedade.
Para alcançar tais propósitos, as exposições do NovoMuseu farão uso de diferentes conceitos relacionados, como a longevidade do projeto expositivo, determinando uma forma de tratamento diferenciada da coleção a ser exibida. Também serão utilizadas linguagens de apoio, tais como textos, legendas, atividades educativas e outros, seja por meio dos suportes convencionais ou através de novas mídias.
Quanto aos objetos e conjuntos a serem exibidos, estes poderão ser de diversas naturezas (artísticos, científicos, históricos, tecnológicos e outros), executados em diversos tipos de suporte (pinturas, papéis, projetos, vídeos, fotografias, CDs e outros).
16/12/2002
FHC diz que NovoMuseu simboliza crescimento cultural do País.
Durante discurso na inauguração do NovoMuseu, na noite de sexta-feira 23, na rua Mal. Hermes, Centro Cívico em Curitiba o presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmou que a grandiosidade da obra representa a força do Brasil em continuar crescendo, especialmente no setor cultural.
O presidente elogiou o espaço criado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e disse que, quando deixar o governo e sentir saudade do Palácio da Alvorada (residência oficial do presidente também criada por Niemeyer) irá visitar o Museu para recordar do local onde viveu por oito anos. "Poderei me sentir mais próximo da Alvorada, e não do poder, que não quero mais. Quem sabe, ao visitar o museu, eu também me encontre com a memória da minha família e da própria cidade", afirmou o presidente, lembrando que seu pai nasceu em Curitiba.
Fernando Henrique disse que ficou impressionado ao visitar o NovoMuseu e ressaltou que exposição sobre cultura mexicana lhe chamou atenção em especial. "No começo eu percebia Brasília como uma cidade mexicana, cerimonial de poder como as Astecas. Hoje entendi porque me senti assim em Brasília. Fui vendo que talvez essa tenha sido a genialidade da dupla que construiu Brasília", disse, referindo ao arquiteto Oscar Niemeyer e ao urbanista Lúcio Costa.
Por: Oscar Niemeyer
O Museu do Paraná será inaugurado hoje, e sinto que devo explicá-lo e agradecer aos que dele se ocuparam com tanto entusiasmo.
O primeiro teria que ser, é claro, o governador Jaime Lerner, que teve a idéia genial de aproveitar uma escola por mim projetada 35 anos atrás para, com ela, construir esse grande museu. E boas razões tinha ele para isso. É uma escola com 200 m de comprimento e 30 m de largura. Um pavimento apenas suspenso sobre pilotis. Projeto que já tinha esquecido e que me surpreendeu, quando o vi de novo. Podemos dizer que essa escola, projetada há tanto tempo, é uma obra moderna, moderníssima, com seus vãos variando entre 30 e 60 metros. Apta para se integrar ao grande museu que Lerner imaginava.
Para o projeto a elaborar, eu tinha que levar em conta ainda o fato de essa escola já fazer parte da cidade de Curitiba como uma de suas obras mais representativas. Não deveria, portanto, ficar escondida, o que explica ter projetado o NovoMuseu solto no ar, dois metros acima de sua cobertura.
E lá está o NovoMuseu a surpreender a todos que passam. Uma arquitetura que foge a tudo que viram antes. Toda feita de audácia, de técnica e de fantasia.
Não é assunto meu, mas é bom lembrar que esse museu vai custar apenas R$ 40 milhões, apesar de atender aos programas mais ambiciosos que um museu moderno deve adotar.
É claro que não devo esquecer os que colaboraram nessa obra com extrema dedicação. Mas são tantos que me vejo obrigado a falar, além de Alex Beltrão, que coordenou, desde o princípio, todo o desenvolvimento do museu, daqueles que mais ligados ficaram à arquitetura propriamente dita.
José Carlos Sussekind, responsável pelos cálculos da estrutura, Jair Valera, que desenvolveu todo o meu projeto, Marcelo Ferraz, que se incumbiu dos interiores da antiga escola, criando os programas indispensáveis ao bom funcionamento do museu - inclusive um novo setor para a exibição de esculturas - e Osvaldo Cintra, que acompanhou a construção até o seu término.
Levando em conta o tempo recorde em que essa obra tão complexa foi realizada, cinco meses apenas, seria lamentável não lembrar a firma Cesbe S.A., que dela se ocupou.
Durante esses cinco meses, acompanhei atentamente, pelo sistema de videoconferência instalado em meu escritório, o correr da construção. O terreno vazio, a estrutura de apoio a subir cada dia mais alto, as longas vigas longitudinais que suportam, por fim, a casca da cobertura que, para atender pressões do vento, o nosso companheiro José Carlos Sussekind previu.
Durante algum tempo tudo isso ficava escondido pelos apoios provisórios. Lembro que perguntava ao Birunga: "Quando eles vão ser retirados?", aflito por ver a cobertura pronta e a forma arquitetônica definida, com seus balanços laterais de 30 m.
Muitas vezes, visitantes que surgiam em meu escritório demonstravam interesse em conhecer o andamento da obra pelo sistema de videoconferência. E lá estavam o Lerner; o Beltrão ou o Birunga, contentes ao ver como tudo corria bem, ao ver que em breve aqueles apoios metálicos seriam retirados e o teto ficaria aparente, imenso, com 70 m de comprimento e 15 m de altura, como um grande céu iluminado.
E contavam como seriam as esquadrias, com vidros duplos, tendo entre eles as placas metálicas que desenhei para melhor proteger o salão. Não raro eram estrangeiros, arquitetos de fora que vinham me visitar, encantados com o museu em construção e o apuro da técnica em nosso país.
Nas últimas semanas, meus contatos, por meio do sistema de videoconferência, eram diários. Lembro que indagava quando começariam a colocar o tapete ou terminar a rampa de acesso, o grande espelho d'água, e a resposta vinha direta, tão perfeita era a execução do cronograma estabelecido. Dias atrás, com a obra quase concluída, eu perguntava por detalhes:
"E os móveis, as mesas do bar, quando vão chegar?"
"Depois de amanhã", respondia o Birunga.
Hoje o museu vai ser inaugurado, e esse diálogo vai acabar. O povo de Curitiba irá, usufruir dessa obra, que tantas angústias e entusiasmo nos custou.
Oscar Niemeyer, 93, arquiteto, é o criador do projeto do NovoMuseu e um dos criadores de Brasília (DF). Tem obras edificadas nos EUA, Israel, Líbano, Argélia, França, Itália, Alemanha e Portugal, entre outros países.
Fonte: Artigo publicado na edição da Folha de São Paulo, sexta-feira, 22 de novembro de 2002
Áreas de atuação
O NovoMuseu terá como focos de atuação as Artes Visuais, o Design Gráfico, o Design Industrial, a Arquitetura e o Urbanismo. Todos os focos de atuação acima representam modalidades artísticas raramente tratadas no país de forma orgânica e permanente. Este é um dos diferenciais mais importantes na constituição do NovoMuseu, configurando uma estratégia cultural singular no país.
Com vistas à integração dessas áreas, o NovoMuseu propõe um programa de Ação Educativa e Cultural que articula exposições, ateliês de formação de artistas, oficinas para o público, Centro de Documentação e Referência, produção de material de apoio (impresso e audiovisual), palestras, simpósios, cursos, entre outras atividades.
Além da integração entre as áreas de atuação do NovoMuseu, há uma integração física deste novo espaço com as áreas que o cercam, no que chamamos de Aldeia Cultural. Trata-se, no fundo, da integração do museu com a própria comunidade, com os cidadãos curitibanos, paranaenses, brasileiros, latino-americanos e com visitantes de outros países.
Centro de documentação e referência
O Centro de Documentação e Referência (CDR) do NovoMuseu deverá ser mais do que uma biblioteca pública. Além de abrigar e disponibilizar ao público seu acervo de material impresso e audiovisual, o CDR também estará incumbido de produzir, em conjunto com a ação educativa, material de apoio para visitas guiadas às exposições e para oficinas, cursos, palestras etc.
O acervo do CDR será inicialmente formado pelos acervos das bibliotecas do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC/PR) e do Museu de Arte do Paraná (MAP), e enfocará as 4 áreas de atuação do NovoMuseu.
Em breve, o material disponível no CDR deverá passar por um processo de recadastramento eletrônico, tornando possível consultar neste site as fichas catalográficas de todo o acervo. O CDR localiza-se no piso superior do edifício antigo (Castello Branco) do complexo.
Constituição dos Acervos
O acervo deverá ser constituído e ampliado visando análise, investigação, fomento e difusão nas áreas de Artes Visuais, Design gráfico e industrial, Arquitetura e Cidade [Urbanismo]. A política de constituição do acervo deverá estar embasada em critérios científicos advindos das áreas de foco do NovoMuseu e das necessidades de seu público, de forma que sua ampliação ocorra a partir do que será necessário ter, e não do que já está patrimoniado nas diferentes coleções.
O projeto de aquisição e ampliação permitirá preencher lacunas no acervo inicial do museu (provenientes do MAC/PR e do MAP) e constituir novas coleções, tendo como principal foco a divulgação da produção brasileira moderna e contemporânea. Serão criados diversos núcleos que agrupam artistas (incluindo nesta categoria arquitetos, designers, urbanistas etc.), obras (inclusive plantas, projetos, objetos, maquetes etc.) e movimentos de acordo com critérios temáticos, cronológicos e/ou geográficos. O critério básico para integrar obras ao acervo será a pertinência da mesma a um desses núcleos, definidos por um grupo de pesquisadores e historiadores da arte e da cultura brasileiras.
O objetivo de tal procedimento é ultrapassar a prática comum de inclusão de obras singulares em acervo – obras não necessariamente relacionadas umas às outras. Com o sistema de núcleos pretendemos contemplar as questões manifestas nos diferentes momentos da história das artes brasileiras a partir do século XX, incorporando ao acervo apenas obras que sejam representativas para a composição dos diferentes núcleos, seja por seu caráter exemplar ou de ruptura.
Deverão ser levados em conta, ainda, a expressão que o artista e a obra podem desempenhar na coleção, a representatividade do autor no panorama das artes brasileiras e a importância da obra no conjunto da criação do artista.
O ponto de partida para a formação do acervo do NovoMuseu será a Coleção Permanente. Ela dará origem ao primeiro dos quatro núcleos previstos na fase de implantação do museu, detalhados abaixo.
Apresentação de Acervos
Em uma instituição museológica, a exposição é o meio privilegiado de comunicação com o público em geral. Portanto, ela deve ser planejada visando a contribuir para a adequada difusão do patrimônio cultural ou de informações específicas (institucionais, didáticas etc.).
As coleções a serem expostas no NovoMuseu deverão estar vinculadas aos princípios de divulgação e ampliação de conhecimentos nas áreas de interesse definidas pelo perfil do seu acervo e à tipologia museológica à qual se filia, bem como colaborar para o entendimento do papel do NovoMuseu como instituição a serviço da sociedade.
Para alcançar tais propósitos, as exposições do NovoMuseu farão uso de diferentes conceitos relacionados, como a longevidade do projeto expositivo, determinando uma forma de tratamento diferenciada da coleção a ser exibida. Também serão utilizadas linguagens de apoio, tais como textos, legendas, atividades educativas e outros, seja por meio dos suportes convencionais ou através de novas mídias.
Quanto aos objetos e conjuntos a serem exibidos, estes poderão ser de diversas naturezas (artísticos, científicos, históricos, tecnológicos e outros), executados em diversos tipos de suporte (pinturas, papéis, projetos, vídeos, fotografias, CDs e outros).
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