O Seblante de Curitiba
12/05/2003
Como um artista, esculpiu o semblante da cidade. Construiu a fisionomia urbana de Curitiba. Porque exerce um desses ofícios em que o criador mantém eterna a relação com a obra.
O curitibano pode desconhecer, mas esse arquiteto projetou o cenário de boa parte de nosso mundo cotidiano: montou palco para o drama, à Ópera ou para Comédia; preparou lugar para os viajantes, edificou um complexo só para estudantes, construiu o espaço ocupado pelos Prefeitos e até ajeitou o escurinho de algum cinema.
E na verdade, nem é arquiteto. Optou pela Engenharia Civil. É que naquele tempo o engenheiro projetava, desenhava, fazia e acontecia na Arquitetura. Nesse caso, também fez acontecer a cidade.
Não é à toa que Curitiba tem a "cara" dele. Talvez não tenha o mesmo humor, já que Rubens Meister gosta de um papo e não dispensa um sorriso. Mas tem sua fachada. Difícil encontrar o cidadão que nunca tenha colocado algum pé na obra dele. Elitismos à parte, porque ele não fez só o Teatro Guaíra. Você sabe de alguém que nunca foi a Prefeitura? Pode saber...
Mas, e de alguém que nunca pisou na Rodoferroviária, nem que fosse só para comprar passagem, buscar um parente ou até acompanhar o vai-e-vem dos ônibus? (Tá certo que rodoviária não é aeroporto, mas...) Vamos além. Meister fez o Auditório da Reitoria, projetou o Teatro do Sesi e o Sesc da Esquina, a Caixa Econômica da Praça Carlos Gomes e foi o responsável pela primeira etapa do Centro Politécnico. Fez o projeto de restauração da parte interna do Palácio Avenida e de residências como a do Cônsul da Áustria e do empresário Manoel Rosemann. Sempre assessorado pelo sócio, o arquiteto Elias Lipartin.
Mas o inusitado mesmo foi a construção do Guaíra. Recém-formado, com 26 anos, Rubens Meister trazia na bagagem o prêmio do concurso para a criação do Panteón da Lapa, que dividia com o arquiteto Romeo Paulo Costa, responsável também pelo projeto da Biblioteca Pública do Paraná. Era o final dos anos 40 e o Governo buscava a melhor forma para o “Teatro Oficial do Estado”. Ninguém suspeitava que ele iria se converter no famoso Guiarão.
O projeto de Meister, considerado “avançado”, foi classificado em terceiro lugar. Os cariocas levaram o prêmio, mas não deram forma para o Teatro. A polêmica era grande, apoiavam a idéia de Meister. Mas também se pedia Arquitetura Tradicional e o Guairão esperou o Governo de Bento Munhoz da Rocha Neto para sair do papel, com o projeto de Meister. Até a inauguração apresentou imprevisto. Foi em 54; o Guairinha ficou pronto primeiro.
O governador Munhoz da Rocha Convidara o Presidente Café Filho para conhecer o novo teatro. O país atravessava um momento delicado, a morte de Getúlio Vargas ainda ditava o tom. Tudo podia ser “atentado”. Foi quando governador e presidente ganhavam juntos a entrada do pequeno auditório. Lá dentro, os últimos detalhes eram acertados. O lustre, improvisado para a construção, ficara esquecido. Ainda estava pendurado no forro, balançando, aquela bacia recheada de lâmpadas. Embaixo o auditório vazio. As autoridades se aproximavam. Só deu tempo de gritar: “Coooorta”. Foi um estrondo, cacos pelo chão. Os repórteres (para variar) falavam em atentado. Bento Munhoz foi mais ligeiro. Lançou-se a uma poltrona e convidou o presidente para experimentar o lugar ao lado. “Veja, não são confortáveis?”, aliviou o governador. Habilidade de político para salvar o espetáculo. Pano rápido.
Por: Luiz Henrique Weber - jornalista
Portal Turismo Informativo é referência em notícias de Turismo e Hotelaria na internet. Desde o ano de 2000 vem atingindo muitas visitas. Há oito anos no ar, já atingiu mais de 186.000 visitantes únicos por mês. Um local de referência na busca de notícias de Turismo e Hotelaria no Brasil.
Mostrando postagens com marcador Memóरिया Curitibana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Memóरिया Curitibana. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Etnias no Paraná
Etnias no Paraná
22/02/2003
Colonizaram o Paraná. Eles trouxeram na bagagem sua cultura, costumes e tradições. São elas: As etnias migratórias! Vieram para encontrar a paz numa terra desconhecida, que prometia muito trabalho, a esperada terra, produção e tranqüilidade.
O Paraná é um dos estados com a maior diversidade étnica do Brasil. Por isso também o turismo em Curitiba é muito explorado. São alemães, árabes, espanhóis, holandeses, índios, italianos, japoneses, negros, poloneses e ucranianos, povos estes que ajudaram a construir o nosso Paraná atual.
A colonização maciça só começou depois da proibição do tráfico de escravos, o que aumentou a procura de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas de café, principalmente no Norte do Estado. Essa mão-de-obra assalariada passou a ser a melhor alternativa para o desenvolvimento da pecuária, até então era a principal cultura do Paraná, e das lavouras de café.
Foi a partir de 1853, quando o Paraná deixou de ser província de São Paulo, que o Governo local iniciou uma campanha para atrair novos imigrantes. Foi entre 1853 e 1886 que o Estado recebeu cerca de 20 mil imigrantes colonizando então o Paraná formando colônias no interior e na capital do Estado.
Alemães - Foram os primeiros a chegarem ao Paraná, em 1823, fixando-se em Rio Negro. Chegaram ao Estado no período entre as guerras mundiais, fugindo das batalhas e barbaridades. Trouxeram ao Paraná todas as atividades a que se dedicavam, entre elas a olaria, agricultura, marcenaria, carpintaria, entre outras. A medida que as cidades prosperavam, os imigrantes passaram a exercer também atividades comerciais e industriais. Hoje, a maior colônia de alemães está no município de Marechal Cândido Rondon, que guarda na fachada das casas e na culinária. Estão concentrados também em Rolândia, Cambé e Rio Negro. A maioria vinda ao Paraná era de Santa Catarina.
Árabes - Eles se instalaram em Paranaguá logo de princípio. Mais tarde eles foram para Curitiba, Araucária, Lapa, Ponta Grossa, Guarapuava, Serro Azul, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu, que hoje tem a maior colônia árabe do Estado. Em Curitiba apareceram em maior número após a Segunda Guerra Mundial, quando chegaram a constituir cerca de 10% da população.
Uma das maiores influências dos árabes no Estado está na gastronomia, onde os temperos e condimentos passaram a ser incorporados a culinária de modo geral, além dos kibes e esfihas que até hoje estão presente na mesa dos paranaenses. Os imigrantes dedicaram-se principalmente à produção literária, arquitetura, música e dança.
Espanhóis - Eles chegaram ao Paraná formando Colônias nos municípios de Jacarezinho, Santo Antônio da Platina e Wensceslau Brás. Entre 1942 e 1952 a imigração espanhola tornou-se mais efetiva. Novos municípios, principalmente na região de Londrina, foram formados por esses imigrantes. Desenvolveram muitas atividades comerciais, artesanais e relacionadas à indústria moveleira.
Holandeses - Eles chegaram no Paraná em 1909, instalaram-se em uma comunidade próxima a Irati. Algumas famílias acabaram voltando para a Holanda, outras foram para a região dos Campos Gerais onde em 1925 fundaram a Cooperativa Holandesa de Laticínios. A Cooperativa trouxe a consolidação da colônia de Carambeí. A Castrolanda é a povoação mais recente de holandeses na região.
Índios - Em 1500, o Brasil foi habitado por tribos indígenas, que viviam espalhadas por todo o território nacional. No Paraná, o habitantes primitivos também eram os indígenas que formavam grandes grupos ou tribos, os Jê ou Tapuia e a grande família dos Tupis-Guarani. Os Carijó e Tupiniquim habitavam o litoral; os Tingüi, tem um parque em sua homenagem, a região onde hoje é a nossa Curitiba; os Camé, a região onde hoje é o município de Palmas; os Caigangue e Botocudo habitavam o interior do Paraná. Os primeiros caminhos do Paraná foram feitos pelos índios e usados pelos bandeirantes para penetrar no território: Caminho de Peaberu, Caminho da Graciosa, Caminho de Itupava e Estrada da Mata.
Italianos - Sem dúvida os italianos foram os que ocuparam o primeiro lugar nas imigrações brasileiras. No Paraná eles contribuíram muito trabalhando nas lavouras de café e, mais tarde, em outras culturas. A principal concentração desses imigrantes no Estado está na capital, Curitiba, em Morretes, no litoral, e nas cidades de Palmeira e Lapa, onde existiu a colônia anarquista de Santa Cecília. Os italianos contribuíram também na indústria e na formação de associações trabalhistas e culturais. Santa Felicidade e Colombo hoje estão povoadas com italianos e seus descendentes. Muitos italianos hoje estão concentrados nos bairros do Água Verde, Portão, Rebouças e região central. Migraram fugindo também das guerras. Uma das viagens de navio da Itália para Paranaguá, minha familia estava presente. É um povo muito alegre e comunicativo.
Japoneses - Os imigrantes japoneses se fixaram no Norte Pioneiro, trazendo a tradição da lavoura. Como, porém, desconheciam técnicas agrícolas relativas às culturas tropicais, se dedicaram a piscicultura, horticultura e fruticultura na economia regional.
Alguns dos produtos introduzidos no Estado pelos japoneses foram o caqui e o bicho da seda.
Maringá e Londrina são hoje em dia as cidades paranaenses que concentram o maior número de japoneses. Uraí e Assaí originaram-se a partir de colônias japonesas. Com grande representatividade desta etnia.
Negros -O Paraná tradicional, isto é, o Paraná da mineração, da pecuária, das indústrias extrativas do mate e da madeira, e da lavoura de subsistência , foi heterogênia, estando presentes os mesmos elementos, a população das outras regiões brasileiras: o índio, o europeu, o negro e seus mestiços. Sociedade também marcada pela escravidão e na qual foi significativa a participação econômica e social dos escravos negros.
Na primeira metade do século XIX o número relativo de representantes da raça negra foi 40% do total da população da Província.
Em Curitiba, o escravo estava presente no trabalho doméstico, mas também tinha lugar importante no cenário cultural da cidade. Eles mostravam seu talento musical participando de "cantos" e "danças" no largo do mercado municipal.
Poloneses - Eles chegaram ao Paraná por volta de 1871, e fixando-se em São Mateus do Sul, Rio Claro, Mallet, Cruz Machado, Ivaí, Reserva e Irati. Em Curitiba, fundaram várias colônias que hoje são os bairros Santa Cândida e Abranches. Ajudaram a difundir o uso do arado e da carroça de cabeçalho móvel, puxado a cavalo. Dedicados à agricultura, ajudaram a aumentar a produção do Estado.
Ucranianos - Eles chegaram no Paraná entre 1894 e 1897. Mais de 20 mil Imigrantes chegaram ao Estado e formando suas principais colônias em Mallet e Prudentópolis. Presentes também nos municípios de União da Vitória, Roncador e Pato Branco. No bairro champagnat têm a praça da Ucrânia batizada em sua homenagem. Hoje o Paraná abriga a grande maioria de ucranianos que vivem no Brasil: 350 mil dos 400 mil imigrantes e descendentes.
22/02/2003
Colonizaram o Paraná. Eles trouxeram na bagagem sua cultura, costumes e tradições. São elas: As etnias migratórias! Vieram para encontrar a paz numa terra desconhecida, que prometia muito trabalho, a esperada terra, produção e tranqüilidade.
O Paraná é um dos estados com a maior diversidade étnica do Brasil. Por isso também o turismo em Curitiba é muito explorado. São alemães, árabes, espanhóis, holandeses, índios, italianos, japoneses, negros, poloneses e ucranianos, povos estes que ajudaram a construir o nosso Paraná atual.
A colonização maciça só começou depois da proibição do tráfico de escravos, o que aumentou a procura de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas de café, principalmente no Norte do Estado. Essa mão-de-obra assalariada passou a ser a melhor alternativa para o desenvolvimento da pecuária, até então era a principal cultura do Paraná, e das lavouras de café.
Foi a partir de 1853, quando o Paraná deixou de ser província de São Paulo, que o Governo local iniciou uma campanha para atrair novos imigrantes. Foi entre 1853 e 1886 que o Estado recebeu cerca de 20 mil imigrantes colonizando então o Paraná formando colônias no interior e na capital do Estado.
Alemães - Foram os primeiros a chegarem ao Paraná, em 1823, fixando-se em Rio Negro. Chegaram ao Estado no período entre as guerras mundiais, fugindo das batalhas e barbaridades. Trouxeram ao Paraná todas as atividades a que se dedicavam, entre elas a olaria, agricultura, marcenaria, carpintaria, entre outras. A medida que as cidades prosperavam, os imigrantes passaram a exercer também atividades comerciais e industriais. Hoje, a maior colônia de alemães está no município de Marechal Cândido Rondon, que guarda na fachada das casas e na culinária. Estão concentrados também em Rolândia, Cambé e Rio Negro. A maioria vinda ao Paraná era de Santa Catarina.
Árabes - Eles se instalaram em Paranaguá logo de princípio. Mais tarde eles foram para Curitiba, Araucária, Lapa, Ponta Grossa, Guarapuava, Serro Azul, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu, que hoje tem a maior colônia árabe do Estado. Em Curitiba apareceram em maior número após a Segunda Guerra Mundial, quando chegaram a constituir cerca de 10% da população.
Uma das maiores influências dos árabes no Estado está na gastronomia, onde os temperos e condimentos passaram a ser incorporados a culinária de modo geral, além dos kibes e esfihas que até hoje estão presente na mesa dos paranaenses. Os imigrantes dedicaram-se principalmente à produção literária, arquitetura, música e dança.
Espanhóis - Eles chegaram ao Paraná formando Colônias nos municípios de Jacarezinho, Santo Antônio da Platina e Wensceslau Brás. Entre 1942 e 1952 a imigração espanhola tornou-se mais efetiva. Novos municípios, principalmente na região de Londrina, foram formados por esses imigrantes. Desenvolveram muitas atividades comerciais, artesanais e relacionadas à indústria moveleira.
Holandeses - Eles chegaram no Paraná em 1909, instalaram-se em uma comunidade próxima a Irati. Algumas famílias acabaram voltando para a Holanda, outras foram para a região dos Campos Gerais onde em 1925 fundaram a Cooperativa Holandesa de Laticínios. A Cooperativa trouxe a consolidação da colônia de Carambeí. A Castrolanda é a povoação mais recente de holandeses na região.
Índios - Em 1500, o Brasil foi habitado por tribos indígenas, que viviam espalhadas por todo o território nacional. No Paraná, o habitantes primitivos também eram os indígenas que formavam grandes grupos ou tribos, os Jê ou Tapuia e a grande família dos Tupis-Guarani. Os Carijó e Tupiniquim habitavam o litoral; os Tingüi, tem um parque em sua homenagem, a região onde hoje é a nossa Curitiba; os Camé, a região onde hoje é o município de Palmas; os Caigangue e Botocudo habitavam o interior do Paraná. Os primeiros caminhos do Paraná foram feitos pelos índios e usados pelos bandeirantes para penetrar no território: Caminho de Peaberu, Caminho da Graciosa, Caminho de Itupava e Estrada da Mata.
Italianos - Sem dúvida os italianos foram os que ocuparam o primeiro lugar nas imigrações brasileiras. No Paraná eles contribuíram muito trabalhando nas lavouras de café e, mais tarde, em outras culturas. A principal concentração desses imigrantes no Estado está na capital, Curitiba, em Morretes, no litoral, e nas cidades de Palmeira e Lapa, onde existiu a colônia anarquista de Santa Cecília. Os italianos contribuíram também na indústria e na formação de associações trabalhistas e culturais. Santa Felicidade e Colombo hoje estão povoadas com italianos e seus descendentes. Muitos italianos hoje estão concentrados nos bairros do Água Verde, Portão, Rebouças e região central. Migraram fugindo também das guerras. Uma das viagens de navio da Itália para Paranaguá, minha familia estava presente. É um povo muito alegre e comunicativo.
Japoneses - Os imigrantes japoneses se fixaram no Norte Pioneiro, trazendo a tradição da lavoura. Como, porém, desconheciam técnicas agrícolas relativas às culturas tropicais, se dedicaram a piscicultura, horticultura e fruticultura na economia regional.
Alguns dos produtos introduzidos no Estado pelos japoneses foram o caqui e o bicho da seda.
Maringá e Londrina são hoje em dia as cidades paranaenses que concentram o maior número de japoneses. Uraí e Assaí originaram-se a partir de colônias japonesas. Com grande representatividade desta etnia.
Negros -O Paraná tradicional, isto é, o Paraná da mineração, da pecuária, das indústrias extrativas do mate e da madeira, e da lavoura de subsistência , foi heterogênia, estando presentes os mesmos elementos, a população das outras regiões brasileiras: o índio, o europeu, o negro e seus mestiços. Sociedade também marcada pela escravidão e na qual foi significativa a participação econômica e social dos escravos negros.
Na primeira metade do século XIX o número relativo de representantes da raça negra foi 40% do total da população da Província.
Em Curitiba, o escravo estava presente no trabalho doméstico, mas também tinha lugar importante no cenário cultural da cidade. Eles mostravam seu talento musical participando de "cantos" e "danças" no largo do mercado municipal.
Poloneses - Eles chegaram ao Paraná por volta de 1871, e fixando-se em São Mateus do Sul, Rio Claro, Mallet, Cruz Machado, Ivaí, Reserva e Irati. Em Curitiba, fundaram várias colônias que hoje são os bairros Santa Cândida e Abranches. Ajudaram a difundir o uso do arado e da carroça de cabeçalho móvel, puxado a cavalo. Dedicados à agricultura, ajudaram a aumentar a produção do Estado.
Ucranianos - Eles chegaram no Paraná entre 1894 e 1897. Mais de 20 mil Imigrantes chegaram ao Estado e formando suas principais colônias em Mallet e Prudentópolis. Presentes também nos municípios de União da Vitória, Roncador e Pato Branco. No bairro champagnat têm a praça da Ucrânia batizada em sua homenagem. Hoje o Paraná abriga a grande maioria de ucranianos que vivem no Brasil: 350 mil dos 400 mil imigrantes e descendentes.
Passeio Público... Público!
Passeio Público... Público!
10/11/2002
Dois de maio de 1886. Domingo, três horas da tarde. A multidão aglomerava-se nas imediações do charco para a solenidade de inauguração do Passeio Público. As obras estavam inacabadas, mas importava ao Presidente da Província, Visconde de Taunay, oficializar a entrega à população curitibana daquele audacioso empreendimento. Relatava a “Gazeta Paranaense” da data: “... uma oitava parte era terreno firme, sendo o restante um banhado impraticável e insalubre”.
Governos antecessores teriam imaginado o saneamento do local. A quantia estimada, porém, em torno de cem contos de réis, era alta para os cofres do tesouro. Taunay, no entanto, encontrou em Francisco Fasce Fontana disposição para implantar o projeto, nomeando-o administrador do recém-criado logradouro.
O Comendador Fontana, nascido e educado no Uruguai, dedicara-se à carreira comercial e por interesses da sua empresa veio ao Paraná tratar de assuntos referentes à erva-mate. Acabou por radicar-se em Curitiba, justamente em chácara defronte ao atual Passeio Público, conhecido na época por banhado do Bittencourt.
Confira o conteúdo desta matéria clicando em leia mais.:.
A implantação do logradouro já exigia medida de saneamento, já que havia preocupação com a proliferação de doenças, em especial a febre amarela, o que poderia representar entrave a imigração de colonos europeus. É inegável a contribuição que prestaram o Comendador Ildefonso Correia (depois Barão do Serro Azul) o engenheiro Lazzarini e o sucessor de Taunay, presidente Faria.
Fontana imaginava ser possível manter o Passeio Público com a receita gerada no próprio parque, proveniente de um carrossel, de gôndolas e de um “chalet” de vendas de bebidas e sorvetes, conforme o seu próprio relatório. As somas despedidas na manutenção e melhoramento do logradouro, todavia, eram elevadas. Parece que Fontana via as coisas de forma diferente, porque os problemas se agravavam. Insatisfeito com a redução das verbas destinadas do poder público impõe-se com a diretoria de tesouro provincial, terminando por exonerar-se da responsabilidade, após dois anos e meio de dedicação ao Passeio Público. Não satisfeito e irritado pelo descaso das autoridades e numa forma particular de protesto, Francisco Fasce Fontana fechou, então, os portões deixando para fora, em dia de grande movimento, não só a banda de música como também a população enfurecida, que, alheia às intrigas, acabou por arrombar todas as entradas. A turma não poderia conceber de outra maneira: afinal de contas, o Passeio Público era público e, portanto, do povo! Isso tudo no século passado.
Nos anos 70, no início da gestão de prefeito Saul Raiz, o Passeio foi cercado por grades de ferro. A gritaria foi grande, inclusive com repercussão negativa da imprensa.
Fadada ao insucesso, a cerca metálica foi providencialmente removida!
Talvez tenham tido o alcaide curitibano e seus comissionados oportunidade de ler as notícias da época de Fontana e chegado particularmente à conclusão de que o Passeio Público deveria mesmo continuar sendo do povo!
Por: Zalmir Silvino Cubas – médico veterinário
"Seu portão é cópia fiel do que existiu no Cemitério de Cães de Paris.
"O Passeio Público também foi o primeiro zoológico da cidade."
Atualmente funciona como sede do Departamento de Zoológico da SMMA abrigando pequenos animais."
10/11/2002
Dois de maio de 1886. Domingo, três horas da tarde. A multidão aglomerava-se nas imediações do charco para a solenidade de inauguração do Passeio Público. As obras estavam inacabadas, mas importava ao Presidente da Província, Visconde de Taunay, oficializar a entrega à população curitibana daquele audacioso empreendimento. Relatava a “Gazeta Paranaense” da data: “... uma oitava parte era terreno firme, sendo o restante um banhado impraticável e insalubre”.
Governos antecessores teriam imaginado o saneamento do local. A quantia estimada, porém, em torno de cem contos de réis, era alta para os cofres do tesouro. Taunay, no entanto, encontrou em Francisco Fasce Fontana disposição para implantar o projeto, nomeando-o administrador do recém-criado logradouro.
O Comendador Fontana, nascido e educado no Uruguai, dedicara-se à carreira comercial e por interesses da sua empresa veio ao Paraná tratar de assuntos referentes à erva-mate. Acabou por radicar-se em Curitiba, justamente em chácara defronte ao atual Passeio Público, conhecido na época por banhado do Bittencourt.
Confira o conteúdo desta matéria clicando em leia mais.:.
A implantação do logradouro já exigia medida de saneamento, já que havia preocupação com a proliferação de doenças, em especial a febre amarela, o que poderia representar entrave a imigração de colonos europeus. É inegável a contribuição que prestaram o Comendador Ildefonso Correia (depois Barão do Serro Azul) o engenheiro Lazzarini e o sucessor de Taunay, presidente Faria.
Fontana imaginava ser possível manter o Passeio Público com a receita gerada no próprio parque, proveniente de um carrossel, de gôndolas e de um “chalet” de vendas de bebidas e sorvetes, conforme o seu próprio relatório. As somas despedidas na manutenção e melhoramento do logradouro, todavia, eram elevadas. Parece que Fontana via as coisas de forma diferente, porque os problemas se agravavam. Insatisfeito com a redução das verbas destinadas do poder público impõe-se com a diretoria de tesouro provincial, terminando por exonerar-se da responsabilidade, após dois anos e meio de dedicação ao Passeio Público. Não satisfeito e irritado pelo descaso das autoridades e numa forma particular de protesto, Francisco Fasce Fontana fechou, então, os portões deixando para fora, em dia de grande movimento, não só a banda de música como também a população enfurecida, que, alheia às intrigas, acabou por arrombar todas as entradas. A turma não poderia conceber de outra maneira: afinal de contas, o Passeio Público era público e, portanto, do povo! Isso tudo no século passado.
Nos anos 70, no início da gestão de prefeito Saul Raiz, o Passeio foi cercado por grades de ferro. A gritaria foi grande, inclusive com repercussão negativa da imprensa.
Fadada ao insucesso, a cerca metálica foi providencialmente removida!
Talvez tenham tido o alcaide curitibano e seus comissionados oportunidade de ler as notícias da época de Fontana e chegado particularmente à conclusão de que o Passeio Público deveria mesmo continuar sendo do povo!
Por: Zalmir Silvino Cubas – médico veterinário
"Seu portão é cópia fiel do que existiu no Cemitério de Cães de Paris.
"O Passeio Público também foi o primeiro zoológico da cidade."
Atualmente funciona como sede do Departamento de Zoológico da SMMA abrigando pequenos animais."
Assinar:
Postagens (Atom)